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História

As bicampeãs esquecidas: a era de ouro do basquetebol feminino de Angola

A seleção angolana de basquetebol feminino é bicampeã de África: venceu o AfroBasket Feminino em 2011, em Bamako, e em 2013, em Maputo, esta última sem perder um jogo. Esses dois títulos, conquistados em três anos, levaram Angola aos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e ao Mundial de 2014 — a sua única presença em cada um.

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A seleção angolana de basquetebol feminino é bicampeã de África: venceu o AfroBasket Feminino em 2011, em Bamako, e em 2013, em Maputo — esta última sem perder um único jogo. Foram dois títulos em três anos que abriram a Angola as portas do palco mundial: os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e o Campeonato do Mundo de 2014. Continua a ser, até hoje, a única vez que a equipa pisou cada um desses palcos.

Quando se fala de Angola como potência do basquetebol africano, a memória vai quase sempre para os homens e para os doze AfroBasket da seleção masculina. É justo — mas conta metade da história. No início da década de 2010, houve uma geração feminina que também colocou Angola no topo do continente, e que hoje quase ninguém recorda. Vale a pena contá-la.

2011: o primeiro título, em Bamako

O primeiro troféu continental do basquetebol feminino angolano chegou em 2011, no AfroBasket Feminino disputado em Bamako, no Mali. Angola terminou a prova com um registo de sete vitórias em oito jogos e sagrou-se campeã africana pela primeira vez na sua história. A distinção de melhor jogadora do torneio — o prémio de MVP — foi para a angolana Nacissela Maurício, extremo que se tornou o rosto daquela conquista.

O título de Bamako valeu muito mais do que uma taça. O AfroBasket Feminino de 2011 distribuía um único bilhete africano para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, e foi Angola quem o arrecadou. Pela primeira vez, uma seleção angolana de basquetebol feminino ia aos Jogos.

Londres 2012: a estreia olímpica

A aventura olímpica foi dura, como quase sempre é para quem sobe de um continente inteiro para o pelotão das doze melhores do mundo. Em Londres 2012, Angola perdeu os cinco jogos da fase de grupos e terminou no último lugar, com uma diferença de pontos de -152 ao longo do torneio. Do ponto de vista do resultado, foi um teto de vidro batido de frente.

Mas o resultado não apaga o feito. Poucas seleções africanas de basquetebol feminino chegaram sequer a disputar uns Jogos Olímpicos, e Angola foi uma delas. A estreia em Londres é, ainda hoje, a única presença olímpica do basquetebol feminino angolano — um dado que diz tudo sobre a raridade daquela geração.

2013: o bicampeonato, invicto e fora de casa

Se 2011 foi a afirmação, 2013 foi a consagração. No AfroBasket Feminino disputado em Maputo, em Moçambique, Angola fez o percurso perfeito: oito jogos, oito vitórias. Terminou a prova invicta e revalidou o título de campeã de África, desta vez em casa da anfitriã e perante o seu público — o cenário mais difícil que uma final pode ter.

Foi o segundo troféu continental em três anos e o auge absoluto da modalidade no feminino em Angola. A equipa não só ganhava: ganhava com autoridade, sem ceder um único jogo numa prova continental. O bicampeonato colocou Angola, por breves anos, entre a elite do basquetebol feminino africano, ao lado de nomes historicamente maiores como o Senegal e a Nigéria.

A era de ouro do basquetebol feminino de Angola (2011-2014)
Ano Prova Palco Registo
2011 AfroBasket Feminino — campeã Bamako, Mali 7 vitórias em 8 jogos
2012 Jogos Olímpicos Londres 0-5, fase de grupos
2013 AfroBasket Feminino — campeã Maputo, Moçambique 8-0, invicta
2014 Campeonato do Mundo Turquia 16.º lugar (0-3)

2014: a única presença num Mundial

O título de Maputo garantiu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2014, disputado na Turquia. Foi a primeira e, até hoje, a única vez que a seleção angolana de basquetebol feminino esteve num Mundial. Angola terminou no 16.º lugar, com três derrotas na fase de grupos — a mesma distância entre ser potência de África e potência do mundo que se vê noutras modalidades do país.

Depois de 2014, o ciclo fechou-se. Nas edições seguintes do AfroBasket Feminino, Angola deixou de chegar às finais, num continente cada vez mais competitivo, com a Nigéria a instalar-se como força dominante e o Senegal a manter o seu peso histórico. A geração das bicampeãs dispersou-se, e com ela saiu de cena a fase mais luminosa da modalidade no feminino.

Porque é que esta história importa

Fica a proporção, que é honesta guardar: no masculino, Angola é a seleção mais titulada da história do AfroBasket, com doze troféus; no feminino, são dois. São histórias de dimensão diferente. Mas ambas dizem a mesma coisa — que o basquetebol é, com o andebol feminino, a modalidade em que Angola foi maior do que o seu tamanho no mapa desportivo.

E há um detalhe que raramente aparece escrito em português: o de que aquela equipa de 2013 fez uma prova continental inteira sem perder um jogo, e a decidiu fora de casa, contra a anfitriã, em Maputo. É o tipo de facto que se perde quando uma geração deixa de ser falada. Aqui fica registado. Mais sobre o presente da modalidade na ficha Angola já ganhou o AfroBasket feminino?.

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Atualizado a 14/10/2026 às 17h57 (WAT)

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