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BANCADA
Crónica

Sê sincero: já viraste do City quando o teu clube perdeu?

Toda a gente conhece um. Aquele que é do Barça na segunda e do Real na quarta, conforme quem ganhou. A gente ri, mas a verdade é mais incómoda: qual de nós nunca escondeu a camisola num dia mau?

Todos conhecemos um. Aquele camba que é do Barça na segunda-feira e aparece de Real na quarta, conforme quem ganhou. Que jura fidelidade eterna quando a equipa vai em primeiro e fica estranhamente calado quando leva quatro. A gente chama-lhe virador, ri-se, e faz bem — é dos maiores crimes do futebol de esplanada.

Mas espera. Antes de apontares o dedo, sê sincero contigo mesmo por um segundo.

A camisola que se esconde num dia mau

Nunca deixaste de mandar o áudio no grupo no dia em que o teu perdeu feio? Nunca desapareceste da conversa até a poeira assentar? Nunca disseste “eu não sou fanático, gosto é de bom futebol” exatamente na semana em que dava jeito não ser de ninguém? Se calhar não viraste de clube. Mas escondeste-te. E esconder-se é a versão educada de virar.

A verdade é que a fidelidade no futebol não se mede nos dias bons — esses são fáceis, toda a gente é do campeão quando o campeão ganha. Mede-se no dia a seguir à humilhação, quando ir de camisola do teu clube para a rua é assumir publicamente que ainda acreditas. É aí que se separa o adepto do turista.

Por isso, cá fica a regra, e é curta: podes ter um clube em Portugal e outro na Europa, podes gostar de ver o Mbappé sem ser do PSG, podes seguir o mundo inteiro. O que não podes é trocar de amor conforme o resultado. Isso não é ter dois clubes. É não ter nenhum.

Agora diz lá, entre nós, sem ninguém a ouvir: qual foi a última vez que escondeste a camisola? Ninguém julga. Estamos todos nesta.

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