Messi ou Ronaldo: a maka que o angolano nunca fecha
Já se decidiu tudo — títulos, Bolas de Ouro, Mundial — e mesmo assim ninguém baixa os braços. Porque a maka Messi contra Ronaldo, em Angola, deixou de ser sobre futebol há muito tempo.
Faz a experiência. Entra numa paragem de candongueiro, numa esplanada, num grupo de WhatsApp da malta, e larga a frase: “afinal o melhor foi o Ronaldo”. Não precisas de mais nada. Em trinta segundos tens meia rua com opinião e alguém já a chamar o outro de cego.
O curioso é que, no papel, a maka está fechada. Podes contar pelos títulos, pelas Bolas de Ouro, pelo Mundial que um levantou e o outro não. Podes alinhar os números todos numa folha e mostrar. E não resolve nada — porque em Angola esta discussão deixou de ser sobre futebol há muito tempo.
É sobre nós, não sobre eles
Ser do Messi ou ser do Ronaldo, cá, virou quase um tipo de pessoa. O do Ronaldo defende o trabalho, a força de vontade, o gajo que se fez a si próprio a partir da Madeira — reconhece-se nele. O do Messi defende o dom, a leveza, o que parece que nasceu a saber. Cada um escolhe o craque que se parece com aquilo que quer ser. Por isso ninguém cede: ceder era admitir uma coisa sobre si próprio.
E há a parte que ninguém confessa em voz alta: metade da graça é a discussão em si. Se um dia se provasse de vez, perdíamos o assunto. A maka Messi contra Ronaldo é o que nos junta ao domingo, o que dá conversa quando não há mais nada, o clássico que se joga sem bola, na esplanada, com o dedo em riste.
Então cá vai a nossa posição oficial, e é a única honesta: os dois arruinaram o resto da geração e nós tivemos a sorte de assistir aos dois ao mesmo tempo. Quem escolhe um, ganha um. Quem os viu aos dois, ganhou tudo.
Agora fecha o telemóvel e vai defender o teu. A maka não se ganha — mantém-se viva. É para isso que ela serve.
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